segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
sábado, 17 de setembro de 2011
sábado, 1 de setembro de 2007
LEWANDOWSKY E A “FACA NO PESCOÇO”
O sol está meio preguiçoso mas eu insisto, de short e sem camisa me sento de peito aberto pra durante uma hora usufruir daquilo que a mão do homem ainda não conseguiu ameaçar. De posse do jornal e uma dose de refrigerante (dois dedos de água e bastante gelo – como o poeta ensinou, afinal whisky não é pro meu bico) para hidratar a garganta vou às manchetes, e; tomo um baita susto: _ “votei com a faca no pescoço”, diz ministro Lewandowski.
Segundo a matéria, que se refere à outra reportagem, a presidente do Supremo Tribunal Federal Ellen Grecie Northfleet rebate afirmação do colega e ministro Lewandowski que teriam eles votado com a “faca no pescoço” no julgamento dos 40 mensaleiros. Nas últimas décadas o povo brasileiro não tinha visto a justiça brasileira dar indícios de ação coercitiva para os casos de corrupção e por que não dizer, esculhambação, falta de decoro e ética praticados por políticos, empresários e até mesmo altos magistrados neste país ao transformarem as instituições públicas em um esgoto fétido a céu aberto. Foi exemplar a ação do Supremo e o que se espera é que assim continue e termine por punir severamente do menor ao maior dos infratores, cujos delitos até hoje não se sabe precisar monetariamente o quanto foi roubado dos cofres públicos. Não sei se foi o jornal O globo, A Folha, Veja ou se foi a TV globo que apurou recentemente se perder no país mais de 40 bilhões por ano em desvios de recursos, tais como: licitações fraudulentas, campanhas publicitárias e políticas, compra superfaturadas, desperdícios por uso indevido dos recursos, etc. etc. 40 bilhões em cinco anos nos aproximaria de um país desenvolvido da Europa se aplicado – adequadamente - em infra-estrutura básica.
Agora me lembro: foi em O Globo onde li a matéria, mas bem que poderia ter sido na Folha Campista ou em outro pasquim qualquer do interior, com gráficos e tudo mais. O importante é que a imprensa apurou, fez o seu papel. Esperei alguém sair da toca e rebater a matéria; e saiu. Guido Mantega bem que tentou; tergiversou mas não convenceu. É afrontoso o que se perde de recurso público no Brasil sem que ninguém do poder público chame prá si a responsabilidade de agir. Diga leitor o que há de mais sagrado em sua vida. Algo pelo qual você saia aos tapas e pontapés para defender. Pois bem amigo: _ assim deve ser defendido o dinheiro público, principalmente por quem é pago para ser homem público, servidor público. Tudo quanto é instituição pública está desacreditada junto à opinião pública como mostrou a imprensa em pesquisa recente. A própria Justiça não desfruta de bons índices de credibilidade com o povo brasileiro.
Talvez seja esta a tal “faca no pescoço” a que se refere Lewandowski, que, justificando-se, disse mais:
_ “Vocês entenderam o que eu quis dizer.”
_ Quis dizer! Quis dizer, ministro!
A impressão que nos passa é que o ministro tem mais para dizer e deixa nas entrelinhas quando se refere ao: “o que eu quis dizer.” Penso que o ministro não sabe o que é “faca no pescoço”, até porque ele tem casa, comida, transporte, segurança, saúde, comunicação, etc. Pagos por nós contribuinte. Sr. Ministro! Por favor Sr. Ministro! Faca no pescoço tenho eu quando vou ao caixa eletrônico, ao sair e voltar prá casa na espera que o portão abra e não seja assaltado, quando sou abordado por policiais nas ruas, quando pago 4 meses e meio anualmente do meu salário em impostos sem retorno em serviço público – incluindo aí o funcionamento da Justiça da qual o Sr. É parte - , quando olho pros meus irmãos desempregados sendo sustentados com a aposentadoria de uma viúva de 85 anos de idade; paro por aqui!
Quanto à imprensa Sr. Ministro! Hoje ela não faz mais do que sua obrigação que é apurar e exibir os fatos. Chamar seus leitores, ouvintes e telespectadores para se posicionarem cobrando daqueles que elegeram a responsabilidade para os seus atos e conduta, que usem os poderes lhes conferidos nas urnas em benefício do coletivo, jamais em benefício particular; é sim também uma missão para a imprensa. Principalmente quando se verifica o estado de alheamento e leniência exibidos pelos representantes do poderes públicos. Agora, se há ilicitudes nos órgãos de imprensa que se apure e puna. Querer dizer é justificativa vaga, importante é afirmar. Por trás de quem põe uma faca no pescoço há uma razão, uma necessidade.