segunda-feira, 24 de dezembro de 2012


PELA FALTA DE INFÂNCIA

16/12/2012 – P-38

Nas desilusões da juventude
Passeei nas estruturas e linhas da poesia
Arquitetando ali o mundo que sonhara um dia
Cercado de pequenos, doces amigos,
Afagos e risos, frutas, mil cores e flores
Com uma amada bela
Minha língua na dela
Roubando-lhe o doce na hora de ir
Enquanto ela me roubava de mim.
Essa era minha valiosa tela.

Talvez, nas irrealizações dos sonhos
De uma infância travessa, traquina e trepidante
De faltas, carências desejos e magias brilhantes.
Bastava olhar em volta de algo simples e
Na imaginação fluía um artefato novo,
Cujo preço pago era uma cota farta
Em cortes e marteladas; mais,
Alguns cocorotes na volta prá casa
Pois, vigilante, atenta e imediata
- Assim como não atrasava -
A mão materna não creditava dívidas
Precavendo-se de futuras fraturas e feridas
Imediato com lágrimas essa conta eu pagava.

E assim, de cocorotes, marteladas e cortes
Dizem-me pardo, esguio ágil e torpe.
Digo-me negro, preocupado e precoce.
Distanciado das letras sons e saraus
Íntimo dos calos, dos fardos das dores
E odores, calçadas, ladeiras, estradas e degraus.
Quando por fim, me vejo diante prá valer
De um tempo duro de fazer, ter que ter,
E pagar sem ao menos receber
Um terço que se reza sem querer, sem se crer.
É preferível doar, é por opção se dar;
Senão, um mero e destemido indignar
Que não paga conta e não gera crédito.
Cá às sós: reflito; _quem comigo poderá?

Luiz C. Teles Barreto

sábado, 17 de setembro de 2011

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Todas as pessoas envolvidas com o futebol hoje - entenda-se por todas as pessoas, não só o jogador como demais familiares, principalmente suas esposas - devem tomar um auto-choque de consciência, e, de uma vez por todas, entenderem que esse esporte é acima de tudo um negócio que envolve cifras altíssimas, ou melhor, o seu negócio, a sua fonte de renda, e até mesmo de enriquecimento; não devendo inclusive, esqecerem de suas origens humildes que por certo não desejam para seus filhos.
É interessante notar como garotas de classe média se envolvem com esses jovens jogadores cujo nível de escolaridade estão bem aquém dos seus, só que, precocemente, já são ídolos, famosos e arrastam uma multidão de repórteres com seus microfones e câmaras prontos para exibi-los em seus horários nobres, mas cujo salários certamente logo logo lhes darão poder aquisitivo infinitamente maior do que o dos pais destas. Para o bem da relação elas deveriam juntamente com suas jovens paixões buscarem ensinamentos de como administrarem suas carreiras e por conseguinte seus bens, o que por certo lhes pouparia de diversos constrangimentos, bem como, reduziria um grande números de separações no mais das vezes com a intervenção da polícia.
Falei falei e não cheguei aonde queria; pois bem: toda essa volta é para falar do Flamengo e o momento terrível que atravessa. E só vai superá-lo quando suas principais estrelas se juntarem num canto qualquer e fecharem um pacto de basta na mediocridade vigente lá pelas gramas da Gávea, até porque, o fracasso do Flamengo trará um balanço negativo para os grandes salários e um futuro sombrio para os demais que ainda buscam um espaço no mundo dos famosos, ainda mais nestes períodos pré copa do mundo. Nesse momento difícil o apoio da família é imprescindível, portanto; namoradas, noivas e esposas poupem os seus guerreiros de problemas, mas, não economizem em carinho e dedicação, pois eles são o seu maior patrimônio.
. Não é demais lembrar que no primeiro turno a esposa do Thiago Neves protagonizou um episódio constrangedor no camarote do clube durante o clássico com o Fluminense ao vibrar freneticamente com o gol do adversário e, claro, time de seu coração. Coincidentemente após esse fato o Thiago passou por uma contusão e até o momento não recuperou, sequer, aquela disposição mostrada no primeiro semestre, porque o futebol.dos tempos do Fluminense deve estar guardado no cofre de casa cuja chave a madame não o deixa ter acesso. Faria bem se a direção do Flamengo reunisse as donas Marias no salão nobre para assistir aos clássicos e de lá em video conferência as colocassem para desejar aos seus guerreiros uma tarde de sucesso. Moças, moças, "mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas!".


sábado, 1 de setembro de 2007

LEWANDOWSKY E A “FACA NO PESCOÇO”


O sol está meio preguiçoso mas eu insisto, de short e sem camisa me sento de peito aberto pra durante uma hora usufruir daquilo que a mão do homem ainda não conseguiu ameaçar. De posse do jornal e uma dose de refrigerante (dois dedos de água e bastante gelo – como o poeta ensinou, afinal whisky não é pro meu bico) para hidratar a garganta vou às manchetes, e; tomo um baita susto: _ “votei com a faca no pescoço”, diz ministro Lewandowski.

Segundo a matéria, que se refere à outra reportagem, a presidente do Supremo Tribunal Federal Ellen Grecie Northfleet rebate afirmação do colega e ministro Lewandowski que teriam eles votado com a “faca no pescoço” no julgamento dos 40 mensaleiros. Nas últimas décadas o povo brasileiro não tinha visto a justiça brasileira dar indícios de ação coercitiva para os casos de corrupção e por que não dizer, esculhambação, falta de decoro e ética praticados por políticos, empresários e até mesmo altos magistrados neste país ao transformarem as instituições públicas em um esgoto fétido a céu aberto. Foi exemplar a ação do Supremo e o que se espera é que assim continue e termine por punir severamente do menor ao maior dos infratores, cujos delitos até hoje não se sabe precisar monetariamente o quanto foi roubado dos cofres públicos. Não sei se foi o jornal O globo, A Folha, Veja ou se foi a TV globo que apurou recentemente se perder no país mais de 40 bilhões por ano em desvios de recursos, tais como: licitações fraudulentas, campanhas publicitárias e políticas, compra superfaturadas, desperdícios por uso indevido dos recursos, etc. etc. 40 bilhões em cinco anos nos aproximaria de um país desenvolvido da Europa se aplicado – adequadamente - em infra-estrutura básica.

Agora me lembro: foi em O Globo onde li a matéria, mas bem que poderia ter sido na Folha Campista ou em outro pasquim qualquer do interior, com gráficos e tudo mais. O importante é que a imprensa apurou, fez o seu papel. Esperei alguém sair da toca e rebater a matéria; e saiu. Guido Mantega bem que tentou; tergiversou mas não convenceu. É afrontoso o que se perde de recurso público no Brasil sem que ninguém do poder público chame prá si a responsabilidade de agir. Diga leitor o que há de mais sagrado em sua vida. Algo pelo qual você saia aos tapas e pontapés para defender. Pois bem amigo: _ assim deve ser defendido o dinheiro público, principalmente por quem é pago para ser homem público, servidor público. Tudo quanto é instituição pública está desacreditada junto à opinião pública como mostrou a imprensa em pesquisa recente. A própria Justiça não desfruta de bons índices de credibilidade com o povo brasileiro.

Talvez seja esta a tal “faca no pescoço” a que se refere Lewandowski, que, justificando-se, disse mais:

_ “Vocês entenderam o que eu quis dizer.”

_ Quis dizer! Quis dizer, ministro!

A impressão que nos passa é que o ministro tem mais para dizer e deixa nas entrelinhas quando se refere ao: “o que eu quis dizer.” Penso que o ministro não sabe o que é “faca no pescoço”, até porque ele tem casa, comida, transporte, segurança, saúde, comunicação, etc. Pagos por nós contribuinte. Sr. Ministro! Por favor Sr. Ministro! Faca no pescoço tenho eu quando vou ao caixa eletrônico, ao sair e voltar prá casa na espera que o portão abra e não seja assaltado, quando sou abordado por policiais nas ruas, quando pago 4 meses e meio anualmente do meu salário em impostos sem retorno em serviço público – incluindo aí o funcionamento da Justiça da qual o Sr. É parte - , quando olho pros meus irmãos desempregados sendo sustentados com a aposentadoria de uma viúva de 85 anos de idade; paro por aqui!

Quanto à imprensa Sr. Ministro! Hoje ela não faz mais do que sua obrigação que é apurar e exibir os fatos. Chamar seus leitores, ouvintes e telespectadores para se posicionarem cobrando daqueles que elegeram a responsabilidade para os seus atos e conduta, que usem os poderes lhes conferidos nas urnas em benefício do coletivo, jamais em benefício particular; é sim também uma missão para a imprensa. Principalmente quando se verifica o estado de alheamento e leniência exibidos pelos representantes do poderes públicos. Agora, se há ilicitudes nos órgãos de imprensa que se apure e puna. Querer dizer é justificativa vaga, importante é afirmar. Por trás de quem põe uma faca no pescoço há uma razão, uma necessidade.